sexta-feira, 4 de julho de 2014

SEM NOVIDADE NO FRONT




De todos os mais de 80 filmes vencedores do Oscar principal, esse é um dos mais fortes e inesquecíveis. Uma obra-prima, considerada por muitos como um dos dez melhores filmes de guerra da história e o melhor filme anti-guerra de todos os tempos. Também foi o primeiro grande filme a ser premiado pela Academia. O ponto de partida já é por si só bastante curioso: tudo é visto através da ótica de soldados alemães.
Durante a Primeira Guerra Mundial, na Alemanha, sete alunos em um colégio se deixam levar por discursos patrióticos de um velho professor e se alistam pra lutarem na guerra e assim servirem a seu país. Em campo de batalha eles descobrem tardiamente que tudo foi um grande engano, passando pelos maiores temores, vivendo situações aterrorizantes, convivendo com o inimigo à espreita, fome, doenças, mortes e a sensação de que tudo poderia ter sido diferente se eles não tivessem se deixados enganar pelas palavras nacionalistas daquele professor. Descobrem que a prática é diferente da teoria, e percebem que, com todo aquele horror, alguns sentimentos podem se transformar em desespero, raiva e até individualismo, como um dos soldados que ao ver o amigo com as pernas amputadas lhe pede suas botas, sem ao menos pensar no sofrimento daquele. Dos sete soldados, vemos um a um sendo dizimados, a guerra não lhes reserva vitória nem esperança de voltarem pra casa, tudo o que lhes restam é a morte. Como em Nascido para Matar de Stanley Kubrick, onde soldados já vivem momentos de aflição em pleno treinamento, aqui, os soldados se veem sob as ordens de um velho carteiro que se tornou oficial e faz de tudo para humilhá-los e sobrecarregá-los. Jogados em uma missão, eles vão parar em um pelotão comandado por um cozinheiro que tenta em vão lhes ensinar as técnicas de sobrevivência. No primeiro ato de luta, já sabemos que escapar daquilo tudo é uma tarefa bastante difícil. O diretor Lewis Milestone, vindo do cinema mudo, demonstra uma técnica invejável, numa época em que o cinema ainda engatinhava. Milestone utiliza uma fotografia "suja", com traços às vezes expressionistas pra demonstrar todo aquele horror. Numa cena, vemos um soldado usando o par de botas que citei mais acima. Esse soldado logo é morto e depois outro soldado usa aquelas botas, mas em seguida também não fica vivo pra desfrutar delas. Aí vemos que tudo se equipara a um pesadelo, onde tudo é incerto, menos a morte. Não só as seqüências de guerra são mostradas de forma crua e brilhante, mas também os momentos de descontração e loucura dos soldados. Tudo é tão verdadeiro que às vezes se confunde com um documentário. Engana-se quem achar que Sem Novidade no Front por ser um filme de oitenta anos atrás não contém cenas brutais, pois isso é o que mais vemos aqui. O filme se concentra principalmente na figura do soldado Paul Bäumer (interpretado por Lew Ayres, ator que seguiu carreira em Hollywood). Ele não é nem covarde nem metido a corajoso, mas igual a maioria de tantos milhões de combatentes. Aliás, é esse personagem que faz esse filme exalar mais veracidade, pois ele sofre, ri, reflete e anseia; ele simplesmente nos mostra como um ser humano pode mudar quando se encontra em uma situação de desespero e dor. Numa cena, Paul fere um inimigo em uma vala e ali ficam apenas eles dois; aos poucos ele começa a sentir remorso pelo que fez e tenta salvar a vida do oponente. Ao ver que aquele homem morreu, Paul promete ajudar sua esposa e filho. Mas depois o comandante lhe diz que a guerra é assim mesmo: ou mata ou morre e tudo é esquecido. Ou seja, não há espaço pra piedade em meio a tanto tormento.
Há muitos momentos marcantes fora os já citados, como a visita de três soldados em uma vila onde moram três mulheres famintas de fome; o hospital de freiras onde parece impossível algum paciente sair vivo ou sem sequelas dali; o reencontro de Paul e sua mãe.
Pouco antes do final, Paul volta ao colégio onde tudo se iniciara. Ali, a pedido do mesmo professor, ele fala àqueles alunos, mas ao contrário do que o velho homem aguardava, Paul o surpreende e despeja ali um discurso corajoso e inesperado, onde entre outras coisas diz: “É sujo e doloroso morrer pelo seu país. Quando vier a morrer por seu país é melhor morrer por nada”!
O final triste nos faz refletir sobre a inutilidade de todas as guerras. Ótimos filmes como O Franco-Atirador de Michael Cimino e Nascido em 4 de Julho de Oliver Stone são outros exemplos de jovens iludidos por um patriotismo exacerbado que no fim só leva à autodestruição.
Sem Novidade no Front foi o terceiro filme da história a vencer o Oscar de melhor filme. Lewis Milestone também venceu como melhor diretor. Ficou anos proibido na Alemanha nazista e na França, sendo liberado sua exibição muitos anos depois.
Um filme indiscutivelmente importante tanto para cinéfilos quanto para aqueles que se interessam por uma história onde a verdade por mais dolorosa que seja, é jogada na cara e atinge como um soco forte no estômago.


Nota: 5 de 5

Ttitulo original: All Quiet on the Western Front

Lançamento: 1930 (EUA)

Direção: Lewis Milestone

Atores: Lew Ayres, Louis Wolheim, John Wray, Ben Alexander e Arnold Lucy

Duração: 131 min

Gênero: Guerra

ALMAS GÊMEAS




Esse é provavelmente o melhor filme de Peter Jackson, sua obra-prima. Superior até mesmo à sua trilogia O Senhor dos Anéis (2001 a 2003). Narra a verdadeira história de uma amizade que culminou em um dos crimes mais chocantes da Nova Zelândia.
O ano é 1953, na cidade de Christchurch, duas adolescentes se tornam amigas em um colégio, e dali nasce uma amizade muito profunda. As jovens fechadas entre si, vão criando um laço de união, no que culmina em uma intensa devoção entre ambas, a ponto de causar espanto e preocupação aos seus familiares. Juliet Hulme (Kate Winslet, em seu primeiro filme e três antes de se tornar famosa por Titanic) é uma adolescente de família de classe alta, angustiada pela turbulência da péssima união de seus pais; ela se sente insegura, oprimida por desejos trancados dentro de si, e com uma rebeldia incontrolável; ela então conhece sua nova colega de classe Pauline Parker, (Melanie Lynskey, a irmã de Drew Barrymore em Para Sempre Cinderela) uma jovem de família pobre, tímida, de poucos amigos. O que poderia ter sido uma história de uma grande amizade sadia, se torna uma terrível obsessão, no qual as duas jovens renegam o mundo real em prol de um mundo imaginário onde há borboletas gigantes, bonecos que ganham vida (até o cantor lírico Mario Lanza aparece como um deles). Suas imaginações tornam tudo muito surrealista, uma fuga da realidade, uma vez que essas duas adolescentes já não se importam mais com o mundo real. Essa amizade vai ganhando conotações homossexuais, fugindo do controle da razão e tornando-se algo fora dos padrões éticos em uma década onde o moralismo era objeto de honra para toda uma sociedade.
Pauline e Juilet juntas, mesmo com suas fraquezas, se mostram inteligentes, criativas, talentosas e determinadas. E determinação é o que move suas vidas, o que não as deixa se separar uma da outra. Quando elas vêem sua amizade ameaçada, planejam algo macabro que resulta no crime que abalou o país. O final é um grito de desespero, amargura, revolta e separação
O diretor Peter Jackson vinha de filmes trash, produções baratas. Então, em 1994 decide filmar um roteiro seu, feito juntamente com sua mulher Fran Walsh, sobre duas adolescentes que se tornam amigas e assassinas. Depois viria Os Espíritos em 1996, cinco anos antes dele fazer a trilogia O Senhor dos Anéis que seria um megassucesso e lhe renderia ótimas críticas. Em 2005 leva às telas a refilmagem de seu filme preferido: King Kong, um clássico em preto e branco de 1933 (Não aquele de 1976 com Jeff Bridges e Jéssica Lange). Em 2009, Jackson acerta como produtor num ótimo filme sobre alienígenas chamado Distrito 9, mas não agrada como diretor com Um Olhar do Paraíso, filme em que uma menina depois de assassinada narra as reações da família, amigos e do próprio assassino na terra. Esse filme é baseado no livro “Uma vida interrompida: Memórias de um Anjo Assassinado" (The Lovely Bones) escrito por Alice Sebold. Infelizmente é um filme que nem de longe se compara ao talentoso Almas Gêmeas. Falta-lhe a sagacidade, a emotividade e as metáforas que fazem de Almas gêmeas um filme inesquecível.
Jackson sabia que, ao fazer um filme que misturasse realidade com um mundo fantástico cheio de cenários irreais e elementos fantasiosos, precisaria de uma boa empresa de efeitos especiais, mas o orçamento para esse filme era pouco, então só lhe restava inventar seus próprios efeitos, então ele criou a Weta Digital. Pra se ter idéia da dimensão dessa empresa que surgiu como algo de fundo de quintal, a Weta não só fez os efeitos especiais dos filmes de Jackson já citados, como também de grandes sucessos como Eu, Robô, X-Men – O Confronto Final, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado e chegando ao maior de todos os efeitos já vistos nas telas: Avatar.
Todos os lugares do filme são os lugares reais onde aconteceram os fatos. As atrizes protagonistas estão excelentes. Kate que foi eleita a atriz do ano, ficou de fora das indicações ao Oscar. O filme só foi indicado como melhor roteiro original, mas ganhou o Leão de Prata no Festival de Veneza e outros prêmios mundo afora.
Não confundir com outro filme de mesmo nome, feito em 2006; é só ficar atento ao ano de produção (1994) e o título original Heavenly Creatures (Criaturas Celestes).
Almas Gêmeas é singular, forte, contundente e genial. Se você gosta de cinema ou de uma ótima história e ainda não assistiu a esse filme, não sabe o que está perdendo.


Nota: 5 de 5

Ttitulo original: Heavenly Creatures

Lançamento: 1994 (Nova Zelândia, Reino Unido)

Direção: Peter Jackson

Atores: Kate Winslet, Melanie Lynskey, Sarah Peirse, Clive Merrison, Diana Kent, Simon O'Connor

Duração: 99 min

Gênero: Drama, Romance, Suspense

AMNÉSIA




Homem tem sua mulher brutalmente assassinada e sai à procura do assassino, sem descansar até que faça justiça com as próprias mãos. Simples, não é? Um tema pra lá de batido. Quem afinal nunca assistiu a um filme com um enredo desse? Mas Amnésia se diferencia de todos os filmes. Ele antes de tudo, é bastante original e complexo. E é aí que reside a força desse filme dirigido por Christopher Nolan, dos ótimos Batman – O Cavaleiro das Trevas e A Origem.
É complicado falar de Amnésia sem acabar estragando as várias surpresas que ele traz.
Amnésia é um filme já diferente desde seus minutos iniciais, quando o personagem principal Leonard shelby (Guy Pearce de Los Angeles – Cidade Proibida) tem sua vida mudada quando certa noite alguém entra em sua residência e mata sua esposa; durante uma luta contra o agressor, ele é golpeado e fica no chão enquanto o bandido foge.
Depois se descobre que ele ficou com um tipo de amnésia no qual esquece tudo que se passa depois de cinco minutos. Ele só sabe que precisa se vingar, e tatua em seu corpo as informações que precisa para poder ir além em sua vingança. Durante sua trajetória, ele encontra uma mulher misteriosa (Carrie-Anne Moss, a Trinity de Matrix) e um homem que se diz policial (Joe Pantoliano, também de Matrix).
Sua história é contada de trás pra frente, ou seja, o que vemos na primeira cena na verdade é o final, e o que vemos no final, na verdade é o começo. Parece difícil de seguir, mas não é, mas isso não quer dizer que o você vá entender de cara o enigma da história. Tem pessoas que assistem várias vezes e não assimila muita coisa, mas há quem assista e entende de primeira. Entendê-lo ou não depende de cada um. Pra quem não tem experiência com filmes legendados, é recomendado que se assista dublado mesmo (ainda que logicamente na linguagem original é muito melhor), pra assim não se perder na trama que é aparentemente confusa, mas que no fundo faz o maior sentido. Não é desses filmes que tentam ser complexos e enganam o espectador. Esse aqui de fato segue uma linha de raciocínio lógico. Há nele também uma subtrama em que Leonard antes da tragédia, investigava um homem que poderia estar fingindo perder a memória pra se dar bem com um seguro. Intercalando cenas coloridas em que Leonard busca pelo assassino e cenas em preto e branco em que ele investiga o caso do suposto golpista, culminando num final surpreendente de deixar qualquer um de queixo caído. O filme nos prega peças em vários sentidos, troca imagens que só vemos numa questão de segundos, nos leva a ter várias interpretações. Seria esse homem investigado por Leonard, o próprio Leonard?
Entre as várias cenas antológicas, uma delas brinca com o telespectador, quando Leonard persegue um homem, mas logo ele se dá conta que há algo errado.
As pessoas se aproveitam de sua situação, como o homem da recepção, que o troca sempre de quarto dizendo que ele não se lembraria mesmo em qual quarto esteve no dia anterior. Leonard sempre abre a porta do hotel pra dentro, quando na verdade a porta abre por fora. O policial brinca com ele dizendo que pode contar sempre a mesma piada.
O filme do início ao fim é uma sucessão de surpresas que vão dando um novo sentido à história. É incrível como ele nunca se perde nem se torna cansativo ou chato, muito pelo contrário. Quando termina queremos ver novamente. A cada vez que eu assisto vou descobrindo novos detalhes que me haviam passado despercebidos das primeiras vezes.
Se Leonard não se lembra de nada que se passou até cinco minutos atrás, isso significa que ele já pode ter pegado o assassino de sua mulher e não se lembrar disso. Sua luta incessante por vingança pode ou não ser algo que agora faça algum sentido.
O elenco é perfeito. Guy Pearce nos passa todo o conflito de um homem atormentado, Carrie-Anne Moss faz de forma natural a garçonete que tenta lhe ajudar, Joe Pantoliano está ótimo como sempre como o policial que pode ou não estar tentando se aproveitar de Leonard. Não menos perfeita é a direção do sempre ótimo Christopher Nolan, que, juntamente com seu irmão Jonathan Nolan, escreveu o brilhante roteiro. Nolan é diretor do melhor filme de super-heróis do cinema: Batman – O Cavaleiro das Trevas (filme do qual o Coringa é interpretado de maneira magistral por Heath Ledger). Dirigiu também Insônia (filme tenso com Al Pacino e Robin Williams), Batman Begins (com Christian Bale e Liam Neeson, entre outros) e O Grande Truque (com Hugh Jackman e novamente Bale).
Amnésia já virou caso de estudo entre historiadores, profissionais da área de cinema, e outros interessados. Sua história bastante original fascina e faz refletir sobre a necessidade do ser humano em fazer justiça, mesmo que ele não entenda o porquê disso.
Amnésia concorreu aos Oscars de montagem e roteiro, perdeu esse último absurdamente para o filme Assassinato em Oxford Park, de Robert Altman.
Amnésia é meu filme preferido da última década e também um dos melhores roteiros já feitos, em minha opinião. Uma obra excepcional, um exemplo notável de como criar uma história perfeita e original.



Nota: 5 de 5

titulo original: Memento

lançamento: 2001 (EUA)

direção: Christopher nolan

Atores: Guy Pearce, Carrie-Anne Mos, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Stephen Tobolowsky

duração: 113 min


gênero: Drama, suspense

AVATAR




Há um pouco mais de 30 anos, um canadense chamado James Cameron fez o filme Piranha II – Assassinas Voadoras (1978), sequência de Piranha (1978, dirigido por Joe Dante), um filme que obviamente visava buscar parte do sucesso alcançado por Steven Spielberg e o seu Tubarão (1975). Piranha II é um filme que, de tão tosco e ridículo (anfíbios que voam!) acaba sendo engraçado. Outros diretores teriam continuado a seguir essa carreira trash, mas James Cameron não era qualquer diretor, e provou isso com seu primeiro sucesso, em 1984 com O Exterminador do Futuro, filme que elevou Arnold Schwarzenegger a astro do cinema. Em 1986, Cameron dirige Aliens – O Resgate (sequência de Alien – O Oitavo Passageiro de 1979, feito por Ridley Scott). A carreira de Cameron começava a tomar novos rumos, o qual o levou a fazer filmes tecnicamente inovadores como O Segredo do Abismo (1989), O Exterminador do Futuro 2 (1991), True Lies (1994) e finalmente se superar com Titanic (1997, até então o filme mais caro e mais rentável do mundo). Mas “superar” é mesmo uma palavra que define bem James Cameron, e doze anos depois ele chega com o filme que revolucionou a arte dos efeitos visuais no cinema moderno: Avatar.
Até onde me lembro, Cameron tinha esse projeto na cabeça desde 1995, mas os efeitos visuais que ele pretendia utilizar ainda não haviam surgido, segundo ele. Mesmo que, em 1993 Steven Spielberg tenha deixado todo mundo boquiaberto com os fantásticos efeitos digitais de Jurassic Park. De 2001 a 2003, o neozelandês Peter Jackson e sua empresa de efeitos visuais: a Weta Digital, daria vida aos personagens criados pelo escritor
J. R. R. Tolkien na saga O Senhor dos Anéis. A trilogia feita por Jackson conseguiu criar personagens e cenários altamente convincentes e chamar a atenção de Cameron. O diretor de Titanic se deu conta de que havia chegado a hora de dar prosseguimento ao seu antigo sonho, que era fazer Avatar.
Cameron sempre foi visto pelos atores e técnicos como um diretor megalomaníaco e perfeccionista, e isso é visível em seus filmes. Em Avatar, ele criou um planeta onde quase tudo que vimos ali é fruto de efeitos digitais; tirando os atores de verdade e algumas coisas básicas como cadeiras e mesas, todo o resto foi feito por computação gráfica (ou CGI como é mais conhecido no meio técnico). É impressionante como aqueles personagens de três metros de altura parecem de fato existir. A interatividade dos atores reais com aquele mundo é perfeita, algo como nunca foi visto com tamanha perfeição em toda a história do cinema.
Pra quem ainda não assistiu a Avatar, aqui vai um pouco do enredo: No futuro, cientistas e fuzileiros norte-americanos exploram um planeta chamado Pandora. Esses cientistas criam os avatares (corpos movidos pela mente de pessoas pra interagirem com os habitantes do planeta, os Na'vi, seres humanóides azuladas de três metros de altura). Um dos fuzileiros (Sam Worthington de O Exterminador do Futuro 4 e Fúria de Titãs) percebe que seus aliados estão com planos de exploração em massa a todo custo contra aquele povo e resolve mudar de lado e ajudá-los. Ele se envolve com uma guerreira (Zoe Saldana de Star Trek) filha do chefe da tribo, e inicia uma guerra (muito violenta, por sinal) contra os fuzileiros.
Ao invés da maioria dos filmes que mostram alienígenas invadindo a Terra e destruindo tudo, Cameron aqui faz o contrário: Os humanos que invadem outro planeta e tentam destruí-lo. A guerra final dos humanos contra os Na’vi é simplesmente fantástica.
Mas nem tudo é perfeito em Avatar. Sua história lembra outros filmes como Dança com Lobos (um homem abandona sua civilização e luta ao lado de um povo diferente) e Matrix (Transferência de mentes), entre outros. O problema não é Avatar se parecer com dezenas de outros filmes, mas se tornar um filme clichê em sua grande parte. O roteiro de Cameron não é bem aprofundado e nem sempre consegue sair do convencional. Mas nem por isso é um roteiro ruim. Consegue prender a atenção do início ao fim.
Cameron se sai muito bem no que ele sabe fazer melhor: interagir pessoas de verdade a cenários irreais e tornar tudo muito convincente. As plantas e vegetações são fantásticas, numa recriação espantosa de um planeta diferente, que é de encher os olhos. Todo aquele processo deve ter com certeza dado um grande trabalho para os técnicos. Além da empresa Weta Digital (criada por Peter Jackson, e responsável pela maior parte dos efeitos visuais do filme), entraram além de outras, duas das maiores autoridades em efeitos visuais do mundo: A Industrial Light & Magic (responsável pela concepção e movimento das naves e transportes) e a Digital Domain (empesa do próprio Cameron, responsável por alguns retoques, efeitos de transição, etc...).
No elenco de apoio estão nomes como Sigourney Weaver (Que já havia feito com Cameron Aliens – O Resgate), Giovanni Ribisi (O Resgate do Soldado Ryan), Michelle Rodriguez (Velozes e Furiosos) e Stephen Lang (Inimigos Públicos) este o vilão.
Avatar se tornou a maior bilheteria da história, superando Titanic, ou seja, James Cameron superou seu próprio recorde, e hoje detém os dois filmes de maior sucesso do cinema. Venceu os Oscars de: Efeitos visuais, direção de arte e fotografia, e ganhou também os Globos de Ouro de melhor filme e direção.
Se não é uma revolução em termos de narrativa e tem uma história já vista em outros filmes, é um épico que vale ser visto antes de tudo pelos seus excelentes efeitos visuais inovadores. Então, quem está em busca de um filme que não faça pensar muito e quer uma diversão de primeira, Avatar é uma ótima recomendação.


Nota: 4 de 5

titulo original: Avatar

lançamento: 2009 (EUA)

direção: James Cameron

Atores: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stepehen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi

duração: 162 min

gênero: Ficção Científica, Ação

CIDADÃO KANE




Eleito o melhor filme de todos os tempos pela crítica mundial, em especial pelo American Film Institute, Cidadão Kane é um dos maiores clássicos da história do cinema. Um filme absolutamente genial, diferente de tudo que já se viu. E olha que já se passaram mais de 70 anos que ele foi lançado. Continua muito atual e original. Seu diretor Orson Welles que na época tinha apenas 26 anos de idade, foi considerado um gênio por ter dirigido, produzido, roteirizado e estrelado essa obra revolucionária.
Eram tempos de guerra, o mundo vivia um colapso, mas Hollywood não parou (Durante os seis anos que durou a Segunda Guerra Mundial, foram produzidos alguns dos melhores filmes da história, como por exemplo: ...E o Vento Levou, Casablanca, Pacto de Sangue, O Falcão Maltês e Cidadão Kane, entre muitos outros), e com isso, suas produções eram ousadas e muitas delas a frente de seu tempo, como essa obra máxima de Welles que conta a fictícia história de Charles Foster Kane, que de menino pobre, se torna um milionário e manipulador magnata da imprensa jornalística. O filme já começa com Kane morrendo, pouco depois de dizer sua última palavra: ROSEBUD. Um jornalista decide procurar pessoas relacionadas ao passado de Kane, a fim de descobrir o que significa tal palavra. Seria uma mulher? Uma loja? Uma cidade? Aos poucos, amigos, amantes, ex-funcionários e ex-esposas do magnata vão descrevendo quem era aquele homem que se tornou tão poderoso a ponto de interferir e mudar suas vidas.
No começo, depois de sua morte, o filme conta a história de Kane ainda criança, sendo entregue pelos pais pra ser criado por um milionário. Já adulto, ele vai gerenciar o jornal e chama seus amigos para ajudá-lo. Ganhando muito dinheiro, se torna um influenciável homem que se perde em suas próprias ambições. Não consegue manter o equilíbrio com a esposa, se deixa levar por amantes e vai perdendo as pessoas à sua volta. Ou será que as pessoas à sua volta no fundo não se importavam com ele?
Vemos com o passar do tempo, que Kane vive mergulhado numa solidão que o acompanha desde sua infância. Ele vive sempre reclamando, questionando, não se contenta com quase nada, mas ao mesmo tempo procura agradar sempre a mulher que ele diz ter amado. Kane não consegue disfarçar a frustração de sua vida, seus anseios não condizem com sua realidade de homem influente. Ele parece sempre querer gritar algo que está dentro dele, mas as pessoas não parecem querer ouvir. Num dialogo sobre a riqueza com o homem que o adotou, ele diz: “A mim só interessava as colherzinhas de prata”. Deixando subentender que nada daquela grandeza o preenchia.
Welles se inspirou (mesmo que negasse) na vida do magnata da imprensa William Randolph Hearst, para fazer o seu Cidadão Kane. Welles via na história desse homem, um riquíssimo material para começar a sua carreira cinematográfica. Mas Welles mal sabia que pagaria um preço muito alto por isso. Hearst quando soube do filme (ainda em fase de produção) tentou a todo custo impedir a sua estreia; não conseguindo, manipulou tudo e todos a sua volta para destruir o filme em sua divulgação. O magnata usou de seu grande poder nas comunicações pra acabar com Welles, tendo se irritado ainda mais por ter visto sua amante (a atriz Marion Davies) sendo retratada nas telas (no filme é uma cantora). Depois desse filme, Welles perdeu a confiança dos produtores (tudo por influência de Hearst) e só conseguiria terminar seus filmes seguintes através de muitos esforços seu e de seus amigos. Alguns desses filmes eram feitos fora dos EUA. Welles aceitava participações secundárias em alguns filmes pra conseguir dinheiro pra suas próprias produções. A participação mais marcante em um filme que fora dirigido por ele fora em O Terceiro Homem, um ótimo filme de 1949 dirigido por Carol Reed (Oscar de direção por Oliver! De 1968) e protagonizado pelo amigo Joseph Cotten que está em Cidadão Kane e no filme posterior de Welles: o ótimo Soberba (do ano seguinte).
Tudo em Cidadão Kane é revolucionário: roteiro brilhante, com uma estrutura narrativa fragmentada, os movimentos de câmera com closes e elementos em segundo plano, criando um jogo de perspectiva formidável; os tetos pela primeira vez eram mostrados com mais destaque em um filme, o som capturava até o barulho das gotas da chuva; a excelente atuação de Welles, passando de jovem a idoso com uma naturalidade incrível. Tudo muito fantástico, um espetáculo de primeira linha. Mas engana-se quem pensa que a genialidade de Welles é fruto de um só filme. Em suas obras posteriores como Sobeba, Macbeth e A Marca da Maldade, ele imprime uma originalidade extraordinária. Suas participações em filmes de outros diretores também são marcantes, como em Moby Dick (1956, de John Huston) e O Homem Que Não Vendeu Sua Alma (1966, de Fred Zinnemann).
Há um documentário feito pela rede de TV PBS, chamado A Batalha por Cidadão Kane no qual é relatado o conflito entre Welles e o magnata Hearst. É um documentário revelador e muito importante pra quem quiser saber mais sobre um dos momentos mais famosos e contundentes da história do cinema envolvendo um de seus maiores gênios. Curiosamente, foi feito também um documentário chamado Muito Além do Cidadão Kane, feito curiosamente por uma rede de TV britânica, que fala sobre a Rede Globo e seu poder de manipulação, onde seu fundador Roberto Marinho é comparado à Charles Forster Kane (manipulador da opinião pública, repararam a semelhança?).
Cidadão Kane concorreu a 10 Oscars, mas só ganhou o prêmio de roteiro original (Welles em parceria com Herman J. Mankiewicz, irmão de Joseph Mankiewicz, o diretor de A Malvada e Cleópatra, entre outros), perdendo melhor filme e direção para Como Era Verde Meu Vale (um bom filme de John Ford, mas que evidentemente é inferior à obra de Welles). Dizem que isso foi por influência de Hearst. Mas uma coisa nós sabemos: William Randolph Hearst só é lembrado hoje por algumas pessoas em sua localidade, mas Orson Welles entrou pra história do cinema como um dos maiores gênios de todos os tempos.
O final é um dos mais surpreendentes e reflexivos da história, onde é revelado o segredo da palavra ROSEBUD.


Nota: 5 de 5

titulo original: Citizen Kane

lançamento: 1941 (EUA)

direção: Orson Welles

Atores: Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead, Ruth Warrick, Ray Collins

duração: 119 min

gênero: Drama

AMANTES




O amor é feito de ocasiões? É possível um homem gostar de duas mulheres ao mesmo tempo? Por que damos mais valor ao que é proibido? Essas são algumas das perguntas que o protagonista de Amantes certamente teria pra fazer. Leonard Kraditor é um homem de mais de trinta anos, que mora no apartamento dos pais e trabalha para eles em uma lavanderia. Leonard carrega em si um trauma do passado, um relacionamento amoroso que não deu certo que o faz se sentir amargurado. Ao se jogar de uma ponte no início do filme, ele é salvo e volta pra casa. Um casal, amigos de seus pais, vai a sua casa e lhes apresenta sua filha, no intuito de formar ali um relacionamento arranjado entre ele e a jovem. Começa um namoro que poderá melhorar bastante a vida de Leonard: a moça gosta muito dele, os pais dela apoiam, juntamente com seus pais também. O que poderia dar errado? Resposta: A nova vizinha do prédio, uma moça meiga e comunicativa, que logo fisga o coração de Leonard, fazendo com que ele se apaixone de imediato por ela. Mas eis que sua nova paixão não é uma mulher desimpedida, mas namora um homem que ainda por cima é casado.
Começa aí um triângulo amoroso que poderá trazer consequências dolorosas pra Leonard. Sua namorada (Vinessa Shaw de Os Indomáveis) gosta dele, e ele gosta da vizinha (Gwyneth Paltrow de Shakespeare Apaixonado). Pode parecer uma história batida, afinal quanto filmes já não vimos sobre triângulos amorosos. Mas esse aqui tem uma diferença, ele não carrega tanto na história de amor, mas sim no drama de um homem que só quer amar e ser amado.
O protagonista, feito pelo ótimo ator Joaquin Phoenix (Gladiador e Ela) é um homem amargurado e ao mesmo tempo disposto a mudar isso em sua vida, como fica claro na cena em que ele sai com a vizinha e suas amigas. É muito triste a cena em que Leonard conversa com seu futuro sogro no escritório, e ficamos sabendo das reais intenções dele. O filme nos mostra que um triângulo amoroso pode trazer graves consequências para todos os envolvidos.
Dirigido com habilidade por James Gray, um diretor especialista em dramas policiais como Os Donos da Noite (também com Phoenix), Amantes é um filme "frio" em seus contornos e conflitos, cheio de nuances realistas; difícil não se identificar com essa história que poderia estar acontecendo conosco, com um amigo ou com o vizinho do lado.
Mas não seria o filme que é se não fosse a força de seu elenco, em particular Phoenix, que aparece praticamente em todas as cenas. Ele é um ator completo, compõe um personagem difícil e se sai muito bem.
O final, de um impacto formidável, nos mostra que o amor pode ser algo feito de momento, ocasional, e de certa forma até mesmo oportunista. Depois que terminamos de assistir, ficamos com a sensação de que algo mudou em nossa concepção em relação ao amor.
Um dos melhores filmes lançados em 2008.




Nota: 5 de 5

titulo original: Two Lovers

lançamento: 2008 (EUA)

direção: James Gray

Atores: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Vinessa Shaw, Isabella Rossellini, Elias Koteas, Moni Moshonov

duração: 110 min

gênero: Drama

A PAIXÃO DE CRISTO




Já foram feitos inúmeros filmes sobre a vida de Cristo, desde obras que desrespeitam sua história: A Última Tentação de Cristo dirigido por Martin Scorsese em 1988 e Jesus, um péssimo telefilme de 1999, até obras abrangentes: O Rei dos Reis, dirigido por Nicholas Ray em 1961, A Maior História de Todos os Tempos, dirigido por George Stevens em 1965 e Jesus de Nazaré (o maior de todos em duração, cerca de 5 horas), realizado por Franco Zeffirelli em 1977 e preferido pela comunidade cristã em muitos países. Até mesmo um ateu já dirigiu um filme sobre a vida de Cristo, foi o italiano assumidamente homossexual Píer Paolo Pasolini e o seu O Evangelho Segundo São Mateus em 1964. Porém, a obra de Pasolini ao contrário do que se esperava de um diretor polêmico como ele, não desagradou, muito pelo contrário, foi vista como um dos melhores filmes sobre o tema já realizados.
Em 2004, o ator e diretor americano (não australiano como muitos pensam) Mel Gibson realizou o mais polêmico de todos, o violento A Paixão de Cristo. Gibson é católico fervoroso, e pretendeu mostrar nas telas o que segundo ele são “As últimas 12 horas da vida de Cristo”. Cristo é preso, negado por Pedro, julgado e condenado à morrer na cruz (assassinos e malfeitores eram mortos na cruz na era do Império romano). Gibson pretendeu mostrar que o único homem perfeito da face da terra sofreu torturas como ninguém antes de ser pregado numa cruz e morrer, em conseqüência de acusações de coisas que ele nunca foi ou fez em toda a sua vida. O filme tem flashbacks que mostram passagens como a infância de Cristo, sua mocidade, o Sermão da Montanha, a convivência com a sua mãe e o encontro com os discípulos, num paralelo com as cenas do sofrimento. Ali por perto está Judas, atormentado por estranhas figuras que o perseguem (aqui serve como uma metáfora da culpa da traição) e que ocasionalmente o levam a cometer suicídio.
As cenas do sofrimento de Cristo e toda sua peregrinação com a cruz nas costas até chegar ao Calvário são o ponto alto do filme, porém, também é o que há de mais discutível. Ponto alto por que Gibson mostra cenas chocantes de violência que fazem filmes sangrentos por aí parecerem comédias. Ele filma tudo como se realmente aquilo de fato estivesse acontecendo no momento em que assistimos. São cenas fortes, de grande impacto, que causam a comoção de quem as vê. Agora vou dizer por que são discutíveis, fazendo algumas perguntas que o filme não responde: Por que Cristo sofreu tanto ali? Por que há tantas revoltas entre aquele povo? Por que os discípulos e pessoas que ali estão sofrem tanto com as dores de Jesus naquele momento, inclusive Maria Madalena? Às vezes temos a impressão que estamos assistindo a apenas uma parte final de um filme, como se a obra tivesse três partes por exemplo, e estivéssemos assistindo somente a última. Por isso é discutível, por que se perde muito tempo com cenas violentas (alguns dirão que são cenas necessárias, porém seria de maior importância mostrar por que Cristo sofreu tanto, o que levou a tudo isso, quais os motivos que o levaram a ser alvo do ódio daqueles judeus.
Alguns dizem que Pôncio Pilatos foi “humanizado” demais por ser romano, uma referência à igreja católica apostólica romana. Satanás é mostrado na figura de uma mulher que às vezes se metamorfoseia em uma cobra (o que Gibson pretendia mostrar com isso não se sabe). Porém, o que muitos também não sabem é que Gibson se baseou nos relatos da freira alemã Anne Catherine Emmerich (1774-1824), que segundo ela escreve em seu livro, teria tido algumas visões sobre os últimos momentos de Cristo a caminho da crucificação. Estudiosos apontam uma série de passagens no filme que não constam nas Escrituras. Mas como é sobre cinema (onde é comum se romancear os fatos) que estamos falando, não cabe aqui mencioná-los.
Mas uma coisa é certa: nos dias de hoje onde impera a falta de vontade de se conhecer melhor sobre Cristo, era de fortíssima importância que um filme desse porte mostrasse com mais ênfase e não em flashbacks a vida do maior homem da história da humanidade. Seus ensinamentos, sua vida purificada sem pecado, suas parábolas, seu real motivo de mostrar aos homens que o pecado só leva a um caminho: a morte eterna. Isso, a produção milionária de Mel Gibson não mostrou e deixa a impressão que é uma produção com propósitos maiores de emocionar e assim levar mais pessoas aos cinemas. Aliás conseguiu, rendendo mais de 600 milhões de dólares em bilheteria.
Mel Gibson foi acusado de ser antissemita, e causaria uma forte onda de problemas que, ligados a isso, quase arruinaria sua carreira. Ele começou fazendo filmes na Austrália, ficando famoso com as séries cinematográficas Mad Max e Máquina Mortífera. Seu primeiro trabalho na direção foi em 1993 com O Homem sem Face. Ganhou os Oscar de filme e direção por Coração Valente, de 1995. Seu filme seguinte a A Paixão de Cristo é Apocalypto, em que uma tribo da civilização Maia de séculos atrás é invadida, muitos deles são massacrados e outros mantidos prisioneiros; um dos sobreviventes tenta a todo custo escapar pra tentar salvar a vida de sua esposa e filho. Esse filme tem duas características que Gibson utilizou em A Paixão de Cristo: A extrema violência e a língua original do povo retratado, enquanto em sua aventura dos povos Maias, ele usa a linguagem original, Em A Paixão de Cristo são usadas as verdadeiras linguagens da época: aramaico, latim e hebraico. Portanto, nada de dublagens, nem mesmo no DVD ou Blu-ray.
Felizmente Gibson acerta na cena chave, justamente no final quando ele mostra a ressurreição, de forma bastante cuidadosa e emocionante.
Como cinema é um filme extremamente bem feito, com ótima reconstituição de época e atores cumprindo bem suas funções. O americano Jim (ou James) Caviezel interpreta o Messias, Maria Madalena é feita pela italiana Mônica Bellucci. O restante do elenco são de nomes pouco conhecidos. Teve três indicações ao Oscar: fotografia, trilha sonora e maquiagem.




Nota: 3 de 5


titulo original: The Passion of the Christ

lançamento: 2004 (EUA)

direção: Mel Gibson

Atores: James Caviezel, Maia Morgenstern, Monica Bellucci, Hristo Jivkov, Hristo Shopov

duração: 126 min

gênero: Drama